Jan/13

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MEMÓRIAS ESPARSAS DO PASSADO: ENTRE O SAUDOSISMO E O ESQUECIMENTO

Décadas, isso mesmo, minha vida já pode ser referida em décadas. E, sabiamente, minha memória só guardou alguns resquícios de tudo o que pude ver, cheirar, tocar e experienciar ao longo de minha vida. Foi pensando na importância que alguns destes resíduos (já meio contaminados, distorcidos, parciais, ..) possuem para mim, que resolvi registrar estas lembranças, a medida que elas vão aparecendo, as vezes motivadas por um sucesso, outras quase que espontaneamente. Ah, tais lembranças vão desde a infância até dias atrás, se relacionam com fatos, experiências, mas também com coisas, palavras, expressões e outros elementos que compõe esta trama já embaraçada que é minha memória. Reconheço que estas lembranças nunca alcançarão a beleza ou a harmonia de um mosaico de Antoni Gaudí, mas possuem muita importância para mim.

KIXUTE: que tênis é este?, pergunta minha filha. Fico até com vergonha em falar, pois era tão bizarro e ao mesmo tempo tão legal, que muita gente usou, amarrou o cadarço na canela e achava o máximo. Dizem que até deformava o pé! Por falar em tênis, quem se lembra do tênis Montreal, que o Silvio Santos tanto divulgava… nem lembro como era, mas só de escutar o nome já dá vontade de rir. Tem mais, o tênis Ponny, uma versão brasileira dos tênis de basquetebol americanos (tipo LA Gear) e que fez muito sucesso aqui, embora não chegasse nem no calcanhar dos “gringos”.

kichute

kichute

VEÍCULOS: Com tantos carrões na atualidade, não esquecerei jamais dos 3 chevettes hatch que tive (verde, azul e dourado). Carro bom, forte, que me levou para todos os cantos.  Saudades! Também já rodei com um Gol 1.0 Branco (o primeiro Flex que tive, 1999); Corsa Classic Sedan da Chevrolet; uma Livina da Nissan; até finalmente meu Versa de hoje.

Chevette

Chevette

E o que dizer da “Ferrari” do amigo Ragazzo, uma belina vermelha com a qual giramos por muitos lugares. O maior sucesso da Av. Iacanga… não era meu, mas tínhamos muito carinho pelo carrão…

FESTA DO PEÃO: a maior festança da minha cidade natal, Americana – SP, e uma das principais do Brasil. Tive o privilégio de residir na frente dela durante muitos anos (quando ainda era realizada no recinto da FIDAN), vendo os cavalos chegarem, a confusão armar-se e a estrutura crescer. Bons tempos, bons shows, que já não me empolgam tanto, embora sei que é um símbolo da cidade. Depois de tantos anos perdi completamente a noção do evento, e há muito tempo não acompanho mais a festa, mas sei que está bem maior, mais organizada, mais cara, mais tudo!

DUAS RODAS: Minha juventude não pode ser lembrada sem minha VESPA vermelha (uma versão moderna da velha Lambreta, substituída posteriormente pelas Scooter). Bom veículo, que me levou pra lá e pra cá durante anos, e que lamento não ter um igual até hoje. Ninguém se esquecerá do “coice” que ela, com seu pedal de partida, dá quando damos a partida. E não foi só ela, tive por anos uma DT 180 Yamaha, que rodou muito e deixou muito óleo (motor 2 tenhos) nas minhas camisetas…

vespa

vespa

CRISTAL: Tempos dourados foram aqueles do Restaurante Cristal. Encravado numa ilha na rua Florindo Cibin, logo após a portaria do Clube do Bosque, este bar-restaurante abrigava desde os encontros familiares, até um bando de jovens loucos para fazer algazarra. Em nosso cardápio nunca faltou o velho e bom vinho tinto de mesa (da casa), de marca desconhecida, doce e capaz de dar uma dor de cabeça brutal no dia seguinte. Mas, para jovens com pouco dinheiro, era como whisky 16 anos.

X-MACEDO: n~ao dá para falar em lanches, em “baitacão” (trailers de lanche rápido), sem lembrar de um personagem americanense. Equipado com sua mobilette, Jofry abriu uma lanchonete na Av. Brasil, área nobre da cidade, cercada do Clube do Bosque, de hospitais, e com uma circulação noturna incrível. Três ou quatro vezes por semana fazíamos questão de tomar um lanchinho nela, mesmo considerando as bizzarices do Sr. Jofry (até hoje não sei seu verdadeiro nome). Ele regulava o consumo de maionese colocando-a em potinhos de palito de dentes, insistia em cobrar mais cervejas das consumidas (por isso muita gente escondia garrafas no banheiro), … Num certo dia nosso amigo Xuxa, um verdadeiro pirado diga-se de passagem, vinha a caminho da lanchonete e achou uma minhoca das grandes, e não teve dúvida, ao chegar lancou-a na chapa, o que ativou a ira do Jofry que saiu correndo detrás de todos, chegando a atirar as espátulas no Xuxa (sem sucesso, por sorte). Por fim, e o fato que mais chama a atenção foi o famoso X-Macedo, um lanche que supostamente fez muito mal ao ex-jogador (na época craque do São Paulo FC).

BAILE A ARARA E DO HAWAI: quem n ão se lembra dos memoráveis bailes da Arara (Iate Clube de Americana) e do Hawai (Rio Branco), onde todos nos vestíamos de branco, floridos, e aos milhares curtíamos muita música, frutas, lindas pessoas e muita bebida… quase sempre a festa terminava (quando não começava) com engafarramento, chuva, algumas brigas, guerra de melancia e muita gente pulando na piscina. Farras que ninguém queria perder!

Muitas outras boas lembranças seguirão…. entre elas:

– Mobilete, sonho de consumo?

– Buggy do Bispo? Uma aventura em frente a minha casa

– Oratório Dom Bosco: até esconde-esconde com cachorro do P. Bordignon solto pela escola.

– Pianos Bar na Av. Fernando Camargo,conceito de luxo para uma sociedade nada preparada.

– Carnaval no Rio Branco, auge da sociedade americanense

– Carnaval de rua: salvação, bananeira, … blocos de rua.. Vila Querosene!

– Ir ao estádio, com o caminhão da Malucos do Tigre, não era seguro, mas a aventura valia.

– Iô-Iô, anos dourados. Promoção coca-cola, competições para ganhar o modelo “máster”.

– E as gírias; Tá ligado? Goma? Se liga ai? Peita? Nem fú? Tipo assim? Abaixa a bola! Pianinho! Só no sapatinho! Caramba, quantas expressões apareceram, desapareceram e nossa memória simplesmente as deixou em algum canto, só esperando o momento para usá-las novamente.

– Boate Esqualidus: quem nunca foi? Quem disse que lá esteve?

– Veteranos: a noitada de domingo mais conturbada da cidade. Briga após briga, e a era das gangues. Malucos do Frezarim (MDF), Dadá e sua turma.

– Bloca das piranhas: da brincadeira ao vandalismo.

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