Fev/10

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CRÔNICAS E CRÍTICAS DESTE MUNDO

Para alguns viver somente não basta, é preciso ver, sentir e poder refletir sobre a vida, para que nossos filhos ao menos tenham a possibilidade de encontrar um mundo mais harmônico e propício para a vida na sua integralidade. Foi pensando nisso que iniciei algumas reflexões, que podem até soar ingênuas, sem fundamentos ou mesmo, frágeis, porém são o que são, nem mais nem menos: apenas um manifesto pessoal.

(ordem cronológica – as mais recentes antes)

Livros, esporte e mercado: a ignorância não é fruto do acaso, mas um constructo intencional

É fato que a produção literária e acadêmica na forma de livros cresceu exponencialmente na segunda metade do século XX, apesar da invasão das novas tecnológicas da informação e da ascensão de outros modelos de comunicação. O que mais me espanta é que este mercado pujante, e com importante participação das grandes empresas (entenda-se grandes editoras-livrarias)  as estantes (reais ou virtuais) transformaram-se num pobre e árido terreno, onde imperam os livros biográficos de jogadores de futebol, memórias ou receituários de esportistas famosos, e algumas poucas obras sobre lutas (com destaque ao cultuado MMA), sobre nutrição esportiva e métodos (pilates,….) de condicionamento físico…  Rogar, suplicar ou apenas lamentar, é o que tenho feito, pois adoraria ver os frequentadores podendo achar bons livros que poderiam contribuir para a construção de um novo olhar sobre o esporte, a saúde e tudo o que acontece ao redor desse universo.

Onde estão os bons livros?

Onde estão os bons livros?

O uso do celular durante a condução de veículos automotivos.

Mesmo com intensa publicidade de advertência, de amplo conhecimento sobre a ilegalidade e de cada vez vermos mais exemplos das catastróficas consequências de falar no celular enquanto se dirige, a população brasileira simplesmente transformou esta ação numa das contravenções mais comuns da atualidade. E mais, o habito fez com que muitos nem sequer percebam a gravidade do erro. E dizem que avançamos no processo civilizatório. Mera ilusão!

A sala da justiça e o problema do batmovel: o caos veicular da policia brasileira.

Do calhambeque ao camburão (veraneio),  a policia brasileira (civil e militar) usou quase todos os modelos disponibilizados no mercado (opala, gol, s10, ..) fazendo do pátio da corporação um verdadeiro zoológico veicular. E o que isso importa? Bom, em primeiro lugar a diversidade dificulta a manutenção, além de torna-la mais cara e lenta; e, o que mais importa, o uso de modelos cuja engenharia foi desenvolvida para o mercado regular, exige ajustes e a inclusão de acessórios fundamentais para veículos para uso na segurança pública (pintura, blindagem, suporte para armas, equipamentos de comunicação, compartimento de detenção – cela, …). Essas necessidades especiais fazem que o valor do veículo regular aumente significativamente até que o mesmo seja entregue para a polícia. Assim, eu, um mero e ignorante observador, venho há pelo menos 10 anos, perguntando-me porque não temos uma montadora oficial, ou um fornecedor licitado, ou qualquer outro formato de negócio, que permita o fornecimento de veículos elaborados especificamente para esta finalidade. Um argumento que toma força considerando a ampla e constante demanda da polícia (municipal, civil, militar, rodoviária, do exército, …) brasileira, país continental e de alta demanda. Se isso parece um absurdo, pergunto porque para veículos militares, que também tem necessidades e usos especiais, temos diversas montadoras?  Talvez eu esteja ignorando um aspecto fundamental: o atual cenário é um mercado estável, bom para alguns e incontestável (pelo menos não vemos este tipo de crítica circulando por nossos meios de comunicação). Ou ainda, talvez eu queira mudar algo que funciona muito bem, e neste caso, as milhares de viaturas abandonadas por alto custo de manutenção (e escassa verba) ou as milhares destruídas por não suportarem o uso cotidiano, para o qual não foram projetas, sejam apenas uma miragem. Um delírio!

O dia em que a terra parou

Não parou, mas por duas horas ficou tão lenta e concentrada nos televisores que até fez pensar que havia parado.

Que dia foi esse? Ou, melhor, que dias foram estes? Foram os jogos do Brasil na Copa do Mundo! Mesmo sem dar espetáculo, mesmo com todas as críticas ao superfaturamento, a corrupção e os excessos dos organizadores e do governo, o povo brasileiro se rendeu rapidamente ao fascínio do futebol. “Ópio do povo”, como disse Roberto Da Matta? A pátria de chuteiras, nas palavras de Nelson Rodrigues? Não sei o que dizer, nem mesmo me sinto muito feliz em ver a copa sabendo da podridão por detrás dela (mil escândalos, até com venda superfaturada de ingressos por “nobres amigos da FIFA”. Mas ´fato, o Brasil parouuuuu!

À sombra do futebol

Não só do craque Neymar e outros excelentes jogadores de futebol vive o Brasil. Quantos talentos estão, nas mais diferentes áreas habitam o interior de nosso país, e quantos mais orbitam no exterior? Um exemplo é Heitor Pereira, também conhecido como Heitor TP, músico que depois de deixar o famoso grupo Simply Red transformou-se num importante compositor para filmes de Hollywood. Temos o pop-star das artes plásticas Romero Britto; o desenhista/diretor/animador Carlos Saldanha; o surfista Gabriel Medina;  a skatista campeã mundial Karen Jonz; nem mesmo Marta, também jogadora de futebol, melhor do mundo cinco vezes, tem espaço nesta monocultura. E porque não conseguimos dar a mesma visibilidade para todos eles, mesmo sendo contemporâneos e igualmente geniais em suas respectivas áreas? Falta de educação? Escasso acesso a cultura? Ou ainda, mono-política cultural? Uma pena, pois deixamos de reconhecer muitos desses talentosos brasileiros!

A universidade e os cursos “nobres”

Outdoors, faixas, publicidade em jornais e até mesmo um banner na escola de minhas filhas enaltecem todos os alunos recém aprovados no vestibular das grandes universidades. Até ai nenhum problema, senão fosse um detalhe: os aprovados são apenas de carreiras “nobres” (medicina, engenharia, direito, …). Depois de observar este tipo de informação ser divulgada ano após ano, vários questionamentos tornaram-se comuns: Quais cursos eles estão buscando? Porque eles optam pelos cursos “nobres? Será que as instituições que divulgam seus resultados não são aquelas que atraem precisamente alunos oriundos das classes média e alta que por razões múltiplas são levados a escolher as profissões “nobres” ? Ou será que nestas instituições outros alunos também foram aprovados em cursos de menor “importância” e tais resultados são omitidos, visando ressaltar apenas aquilo que a sociedade valoriza? Será que a escolha tem sido consciente e livre? Será que estes jovens estão examinando sua vocação ou apenas atendendo um chamado do capital e de uma “vida” financeiramente mais promissora? Eis um bom tema para refletir e conversar!!!

Quando a burocracia faz sentido

Todos nos perguntamos: a quem favorece a burocracia? Embora não seja um sistema simples, a burocracia tornou-se uma excelente ferramenta para garantir o uso dos recursos públicos por alguns poucos. Como? Tornando o processo de acesso, uso e prestação de contas extremamente burocrático (o que não significa eficiente, transparente e rigoroso) o sistema protege os recursos disponíveis, de modo a que parte dele nunca seja utilizado. Com isso, no final do ano fiscal, estes recursos são usados pelas pessoas que conhecem muito bem o sistema, e que conhecem as fontes e como elas podem beneficiar seus interesses. E assim a burocracia vai nutrindo uns poucos que continuarão protegendo o sistema, isto é, mantendo a burocracia em alta e a transparência em baixa.

Quase um sonho

Embora o entorno tende a pensar e a dizer que viajar frequentemente a trabalho é um luxo e uma maravilha, esta atividade converte-se num martírio rapidamente a não ser que tenha a sua disposição todos os cuidados e benefícios de primeira classe (VIP) no avião, no aeroporto, … . As dezenas de horas de espera em filas e aeroportos, de alimentação estranha e desequilibrada e de preços elevados, o confinamento a acentos minúsculos, e até mesmo a rotina dos hotéis pesam depois de certo tempo, mesmo para os mais otimistas e jovens. Apenas um sonho!

Um transatlântico a deriva
Nem o incrível avanço econômico das últimas décadas, nem os muitos programas governamentais de distribuição de renda e nem a diminuição do desemprego foram suficientes para uma mudança significativa da qualidade de vida (saúde, educação, segurança,…) do cidadão brasileiro neste princípio de século XXI.
Alias, a corrupção, a baixa moralidade e a escassez de ética mantém nosso país entre os piores do mundo em qualidade de vida, apesar da riquesa e do poder político, industrial, comercial (enfim, produtivo) e intelectual que temos na atualidade. Ou seja, temos todas as condições para tornar-mos um país com excelente qualidade de vida, mas nos falta algo fundamental: vergonha na cara.
Uma vergonha que nos faça negar e reprovar qualquer conduta inadequada, corrupta ou imoral, que nos faça denunciar mais e melhor, que nos leve a cobrar mais (dos amigos, familiares, políticos, empresários,…) e que coloque a dignidade e o respeito ante a ganancia por poder, estatos social e dinheiro.
O certo é que não podemos pular deste imenso navio, mesmo que esteja movendo-se lentamente, e que temos pouca capacidade de falar com o comandante, mas não podemos esquecer que a embarcaçao está a nosso serviço, alias, ela é e está como nós deixamos. Ela espelha nossos valores e atitudes.

Vamos continuar queimando o transporte público?

http://oglobo.globo.com/pais/numero-de-onibus-queimados-em-sao-paulo-sobe-para-35-11478956

Rio 40 graus, cidade purgatório da beleza e do caos
Nunca foi não verdadeira esta frase da canção de Fernanda Abreu. Embora o desejo da maioria fosse por receber a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e muitos outros grandes eventos, o que mais se desejava, era transformar a cidade e aproximar a vida nela da beleza da natureza, afastando o caos que impera há décadas. Mas o legado será de preços exorbitantes, de filas, de péssimos serviços públicos, de falta de civilidade, arrastões e um senfim de problemas que já não são privivégios dos mais pobres, afetando a todos. Será que a cidade maravilha vais escapar das máfias e deixar o pior de lada, ficando somento com o melhor? É surreal!!!!

http://www.vagalume.com.br/fernanda-abreu/rio-40-graus.html

https://pt-br.facebook.com/riosurreal

Sim, é possível!

Como não observar as diferenças, senti-las, e desta experiência, aprender novas formas de vida e convivência. Pois assim, vi na Finlândia, um país cuja organização e pontualidade bordeiam a perfeição, levando um brasileiro ao aborrecimento ou mesmo a uma crise de percepção. Vi um lugar onde tradição, simplicidade se mistura simbioticamente com a inovação, a criatividade e a hiper-modernidade. Uma civilização antiga, que aprendeu do leste e do oeste a viver num lugar muito mais inóspito que no Brasil onde vivo (pelo menos do ponto de vista natural). Via ainda, que o álcool, o tabaco e muitas misérias humanas também podem afetar um país cujos índices de educação e qualidade de vida, surpreendem até os mais otimistas pesquisadores da atualidade. Vi milhares de loiros e loiras, vibrando com o sol, que lhes presentei apenas alguns meses de brilho intenso. Estes loiros/as também querem mudar, buscam a diferença, e a construção de uma identidade única e de forte impacto visual, assim vi muitos “cabelos tingidos” (especialmente de preto). Vi como é possível conciliar desenvolvimento com transporte público, tecnologia com eficiência, cuidado no trato pessoal com eficácia empresaria, gestão de qualidade com bom humor, trabalho com tranquilidade, coisas cada vez mais difíceis nos lugares onde habito no meu cotidiano brasileiro. Por fim, vi, vivi e senti, o respeito pela natureza, a calma que ela proporciona ao lado da vida urbana, e um povo consegue estar entrelaçado com a vida digital, com as relações virtuais, mantendo ambos os pés em contato com suas raízes e sua natureza.

A crise é só uma questão de tempo

Como podemos ignorar que estamos a caminho da crise e em marcha acelerada? Vemos fortalezas econômicas ruindo, recortando orçamentos, enxugando pessoal (tanto da máquina pública como privada), diminuindo gordurinhas (14o salário, gratificações, …) . Vemos que o delírio do pré-sal ainda não passa de um delírio, que tem provocado muito mal estar entre estados e sobre tudo, entre a desavisada e ignorante população. Vemos um governo brasileiro aumentando seu pessoal em áreas desnecessárias (política e administrativa, por exemplo), e mantendo a escassez de profissionais na educação e saúde onde o aumento urge. Vemos pacotes sobre pacotes econômicos favorecendo os grandes setores, sob a desculpa da necessidade de crescimento econômico. Testemunhamos sucessivos indícios de que a crise está próxima, e que precisamos acordar do sonho de ser um país do primeiro mundo. Devemos regressar ao tempo de temperança, de calma e de muito trabalho nas bases (educação, saúde, social, …). Não pode haver crescimento tão rápido, tão íngreme, e ainda mais sem a educação suficiente para ponderarmos em nossas decisões. A pujança econômica não será eterna, e muito menos é tão grande e sólida como querem que acreditemos. O crescimento econômica deveria ser a longo prazo e para todos (e não só para os que já são grandes). Sair da probreza deveria significar nunca mais voltar a ela, e isso só é possível com política de base, com educação de qualidade e com muito esforço coletivo. Mas cá estamos, a maioria do povo brasileiro, esperando e acreditando nas benevolentes politicas populistas e de pulverização da parcela pequena do dinheiro público entre os menos favorecidos, pois a grande parcela já tem dono e isso não mudou e nem mudará.

Que mundo é esse?

Ver outra realidade nos ajuda a sentar os pés e, dependendo da experiência, rir, chorar, lamentar,… Bom, a Suíça me revelou um lugar perto do que alguns chamam primeiro mundo. Educação, respeito estrito as regras (não pagar o ônibus paga-se uma multa de 100 francos suíços,…).  Nenhum corre-corre, um trânsito calmo e organizado (a pesar da neve), gentileza em cada gesto, enfim uma sociedade “aparentemente” bem mais equilibrada. Também tive meu momento “jacú”, quando no banheiro, após usá-lo – ainda bem – vi sair um braço mecânico, e lavar/esterilizar o assento da privada automaticamente. Futurista demais! Ah, os problemas também existem, muito estou certo. Vi muita gente pedindo dinheiro na rua, muita gente fumando, … mas certamente são problemas menores aos que vejo no Brasil (de um modo geral).

Para onde vamos?

Sem escolas, sem bom transporte público, com escesso de veículos e uma política para seu aumento, com incremento brutal no valor do combustível (o que contrapoe a política que acabamos de citar).  O que esperamos? De universidades sucateadas, sem o número suficiente de professores, e que vivem (especialmente as recém criadas) de promessas e das palavras de que um dia terão o que é necessário para serem de fato universidades.

Porque tanta diferença?

Porque um café com leite custa 5,5 (ou mais) nos aeroportos brasileiros, e 1 (ou até 2 euros) em muitos europeus. Será porque produzimos muito mais leite e café que eles e logo desejamos ganhar muito dinheiro a ponto de tornar seu consumo impossível para a maioria? Ou será porque nosso descontrole social e econômico nos levará ao abismo, pois somos incapazes de ver o que é óbil, que estamos explorando a nós mesmos?

Princesas e Barbies, revelações carnavalescas

Ao evocar o carnaval, pais e mães projetam em suas filhas seus sonhos e desejos: o de ver suas filhas tornando-se princesas ou barbies. Depois não podemos reclamar que nossas filhas se frustem ao não encontrar o príncipe ou conseguir manter a perfeição corporal da Barbie. Insistir nestes modelos é insistir na degradação da humanidade. Estes sonhos tornam-se ainda mais difíceis de serem combatidos, quando vemos dezenas programais infantis da televisão tratando de reforçar este e outros muitos contos de fadas. Pobre de nossas crianças, que mal sabem em quão asqueroso e pobre contexto estão sendo educadas (ou melhor – deseducadas).

O outro lado da moeda

Há algum tempo escrevi minhas impressões do campeonato brasileiro de tênis de mesa (logo abaixo). Nesta semana, por outro lado, tive a oportunidade de acompanhar o torneio final da Confederação Brasileira de Tênis. Assim, não pude deixar de tecer algumas comparações. Atletas de todas as idades, todos muito bem cuidados, com seus ipods e com outros símbolos de uma descendência abastada. Hospedagem em hotel 5 estrelas, transmissão de alguns jogos pela TV fechada, muitos patrocinadores, e outros tantos indicadores de um esporte próprio da classe econômica AAA. É evidente que os atletas do tênis também passam por um processo altamente seletivo, longo e difícil, até que algum desponte, mas tanto investimento pessoal, familiar e também governamental para um esporte que pouco tem contribuído para os resultados internacionais, ao menos nos torneios oficiais (jogos pan-americanos, olimpíadas). É claro que há conquistas, mas a maioria tem maior repercussão pessoal do que nacional.  No mínimo é uma situação que merece reflexão.

Brasil uma potência oímpica? Indicios de uma falacia…

Este final de semana tive a grata oportunidade de acompanhar um dia das competições do Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa no Clube de Campo em Piracicaba-SP. Embora seja possível ver boa vontade da organização, dedicação do clube sede e das equipes, participantes, as tantas  precariedades fácilmente observadas mostram o quanto estamos longe de oferecer as melhores condições para o desenvolvimento do esporte no Brasil. Os atletas passaram dias e dias competindo num ginásio que pareceia um forno, sem nenhum acondicionamento do ar, um horror. Nem os familiares aguentavam ficar no local. Sei que não sou um especialisata no assunto, mas vendo os corpos de alguns de nossos melhores mesa tenistas (bem fora do peso) podemos deduzir que estamos longe de um perfil internacional. A presença de jogadores muito (muito mesmo) experiêntes, como Hugo Oyama, também é um indicador da dificuldade da renovação dos atletas brasileiros. Tudo isso nos remete a uma modalidade em desenvolvimento, longe da consolidação.

As flores da Marginal do Tietê

Tive grata surpresa ao ver que a primavera tardia não exitou em presentear as margens da Marginal do Tietê em São Paulo com suas lindas flores. Em meio ao trânsito caótico, ao lado da quase inerte água poluída do rio e entre tanto concreto sem vida, arbustos, árvores e principalmente estas flores nos ajudam a sentir algo de vida e beleza na metrópole paulista.

Participar ou não das redes sociais: “ser ou não ser” um <<ser>> cibernético – conectado?

É, esta dúvida parece que não procede, pelo menos não para a grande maioria dos internautas. Mas eu ainda tenho dúvidas, seja pela volatividades das redes, pela dificuldades que temos em usar apenas o potencial interessante delas ou ainda pela falta de tempo para administrar e-mails e as contas nas distintas redes sociais. Foi por isso que minha conta no ORKUT “morreu”, alias, ela está lá, mas não consigo acessa (já pedi para apagá-la várias vezes, mas nunca obtive respostas dos administradores). E por isso vou resistindo ao FACEBOOK embora receba pressão todos os dias para abrir um perfil e assim, tornar-me um “ser” socio-cibernético. Confesso que as vezes me sinto defasado, atrasado ou até retrógada, mas vou vivendo sem ela, meio desatualizado, pois até o e-mail deixou de ser o melhor canal para circular informações. Paciencia, vamos ver até onde aguento a pressão! Mais não virei um radical anti-redes sociais (anti-facebook; diaspora; liga anti-facebook; ….)

“Meus heróis morreram de overdose”, outros no entanto foram banidos pelo doping

Uma pena, mas de vez enquando a verdade sai a tona. Desta vez foi o ciclista americano Lance Armstrong que foi banido do esporte e teve seus principais títulos retirados, conforme nota oficial da UCI. Infelizmente este não é apenas um caso isolado, pois muitos outros desportistas já foram penalizados e outros muitos ainda serão. E assim, muitos ídolos vão sucumbindo à pressão da conquista, à fama, ao recorde, ao dinheiro, enfim, ao sistema competitivo de alto rendimento (ou melhor, de rendimento a qualquer preço).

Comida a preço de ouro num hospital campineiro

Devo confessar que visitar um hospital é algo que não desejo e que só faço quando é realmente necessário. Nesta segunda-feira, por motivo de uma crise renal, fui obrigado a passar longas 7 horas no hospital Madre Teodora em Campinas – SP. O atendimento foi bom, porém quero chamar a atenção para os 7,60 reais pagos por um pão de queijo e um café com leite (que pode custar 3,00 em outros lugares da cidade). Mais caro que no aeroporto este negócio me parece oportunista, pois como só há uma única opção no hospital ficamos a merce deste abuso. Lamentável!

Olimpíadas uma competição entre pessoas e não nações

Mais uma edição dos Jogos Olímpicos acaba de finalizar e, a exemplo das anteriores, vimos que mais que representar uma nação, ou um país de nascimento, hoje a disputa está entre pessoas muitas delas nacionalizadas (algumas mais de uma vez). Há dezenas de exemplos, como o jogador de futebol brasileiro Renan, que representou a Bielorussia; o técnico brasileiro de vôlei que foi o responsável pela equipe da Tunísia, ou a ginasta Oksana Chusovitina, que nasceu no Uzbequistão, representou a Rússia e em Londres defendeu a Alemanha. Enfim, não resiste ao tempo, aos interesses e as mudanças.

V Festival de Circo de Campo Mourão – 2012

Sinto-me previlegiado de poder acompanhar mais um festival de circo e ver de perto como o Paraná  vem construindo um movimento de troca e fomento entre escolas e companhias circenses.

Ainda que existam muitas diferenças entre, e percebemos rapidamente algumas delas, ainda há uma relação de respeito e troca entre estes sujeitos que hoje fazem parte da ação circense no estado do Paraná.  Há ainda mais interesse pela troca, pela convivência, do que pela inveja ou a desunião.

É incrível ainda ver como algumas escolas e trupes têm conseguido montar um estrutura, superar dificuldades e oferecer circo de qualidade para centenas de crianças e jovens. É ainda mais impressionante, ver como tais iniciativas tem em jovens de 20 e poucos anos seus pilares centrais, jóvens que abdicam de muitas coisas por um ideal e que assumem responsabilidades enormes (de educar, formar, administrar, …) frente a estas instituições. Isso tudo me deixa muito feliz, pois não raramente vejo jovens que não querem assumir nenhuma responsabilidade, que não querem enfrentar desafios e que se isentam de suas responsabilidades sociais. Espero que estes exemplos, de liderança e atitude juvenil sirva para a construção de um futuro ainda melhor para a arte circense no paraná e fora dele. Foi lindo ver uma lona de circo na praça central, repleta, com o pano de roda levantado para que mais gente pudesse ver os espetáculos. E tudo isso gratuitamente! Parabéns a todos!

Pobreza midiática

Lamento mais uma vez ver como um assunto sem a menor importância inundou a mídia brasileria e conseguiu ocultar outros temas tão relevantes (julgamento do mensalão, …). Me refiro à mudança de cor de cabelo da Xuxa!  Viva o Brasil, viva a ignorância e a mediocridade!

Londres 2012, observando as olimpíadas

Mais uma olimpíadas, mais uma frustração (a de não estar lá, disputando, assistindo, trabalhando, sei lá, fazendo algo), mais um momento de ver a diversidade e a riqueza desportiva e como seres humanos – tão diferentes e tão iguais – acordam disputar provas tão distintas. Uma festa de atletas e equipes <<multi-nações>>, pois já não podemos falar em disputas entre nações, uma vez que é significativa a quantidade de treinadores e atletas nacionalizados (que defendem nações distintas daquela de nascimento-origem). Exemplos não faltam: Renan, jogador brasileiro de futebol que defende a Bielorússia; o técnico de vôlei brasileiro Marcos que treina a Turquia, …….. Vemos até casos como o de um técnico Americano responsável pela equipe chinesa de basquete, ou da ginasta Oksana Chusovitina que disputa os jogos pelos terceiro país diferente (agora a Alemanha). Enfim, uma torre de babel totalmente misturada em prol de melhores condições de trabalho-treino e de medalhas. Vemos ainda como nossa abordagem mediática pouco fala dos brasileiros não-atletas, isto é, daqueles que fazem parte das comissões técnicas, que atuam como membros da comissão organizadora ou como árbitros. Parece que eles nem existem….

Finalmente vemos como o capital (o dinheiro) transformou tudo num produto a tal ponto que a difusão dos jogos é de exclusividade de um canal de televisão, o que tem prejudicado sensivelmente o acesso às informações e portanto, a divulgação da edição que precede à que organizaremos no Brasil em 2016. Uma pena! Enfim, Olimpíadas é isso ai, um duelo entre o bem e o mal, entre o ético e o nem tanto, entre grandes potencias e outras minúsculas, … enfim, tanta diferença (polaridade) como a que encontramos na sociedade brasileira atual.

O sonho olímpico e a desgraça do capital.

Alguns atletas se preparam ao longo de toda sua vida para poder participar das olimpíadas. Treinadores, árbitros e o público em geral também realizam esforços e esperanças para poder acompanhar de perto ou à distância as tão esperadas disputas olímpicas. Mas tudo isso é ofuscado pelos interesses econômicos, pelo capital, quando vemos como canais de televisão e outros meios de comunicação simplesmente ignoram o evento para não promover a transmissão oficial realizada por seus concorrentes. E que perde? Todos nós que gostaríamos de uma cobertura ampla e completa.

O sonho olímpico e a desgraça do capital.
Alguns atletas se preparam ao longo de toda sua vida para poder participar das olimpíadas. Treinadores, árbitros e o público em geral também realizam esforços e esperanças para poder acompanhar de perto ou à distância as tão esperadas disputas olímpicas. Mas tudo isso é ofuscado pelos interesses econômicos, pelo capital, quando vemos como canais de televisão e outros meios de comunicação simplesmente ignoram o evento para não promover a transmissão oficial realizada por seus concorrentes. E que perde? Todos nós que gostaríamos de uma cobertura ampla e completa.

Globo esporte: o apelo para a manutenção da audiência

Com tantas noticias esportivas relevantes, como ignorar a monotonia dos programas televisivos esportivos, cuja temática se restringe ao futebol? Como não deixar de observar a pobreza da programação e o apelo criado com os concursos (João Sorrisão; Miss Simpatia Paulistão?) que visam atrair assistentes? É lamentável ver como a maior parte dos esportistas (inclusive olímpicos) não conseguem nem sequer um minuto de espaço mediático, e como dezenas de minutos são destinados para estas atividades não esportivas. É, realmente os desfiles de garotas modelos que representam times deve estar gerando bons resultados! E assim vamos construindo nosso modelo jornalístico esportivo, nossa cultura mediática… Como será o futuro de um país que está no caminho de sediar uma olimpíadas?

Futebol até na 3a. divisão

Há mais de uma décaca deixei de acompanhar os jogos em estádio, e, embora ainda goste bastante de futebol, tenho dedicado pouco tempo a acompanhar o mundo da bola. Mas, nada melhor que voltar as raízes. Neste domingo de páscoa, atendi ao convide da minha irmã Luciana e fui ao estádio Décio Vita em Americana-SP, ver um jogão: Rio Branco e Itapirense (3a. divisão do paulista). O jogo não foi uma maravilha, mas retornar ao estádio onde vi grandes jogos, onde comulguei muitas emoçoes com a torcida americanense, e ainda poder encontrar grandes amigos, foi muito interessante. Lamento apenas ver o Rio Branco na 3a. divisão, um time que já teve grandes momentos na primeira, que revelou bons jogadores e que a cobiça e a má gestão levou-o para o abismo. Espero que haja força para lutar por melhores tempos, pois a população americanense merece.

Comentar ou papear: lágrimas de desolação

Quem acompanha o canal de filmes TNT, conhece a atuação dos comentaristas do programa TNT Movie Club, Camila Quaresma e Gui Inacio. Para além da beleza física de ambos, é possível dizer que os comentários e as raras críticas aos filmes são lamentáveis. Uma pena, pois realmente uma boa crítica ajudaria a muitos brasileiros no caminho de uma visão mais aprofundada das produções hollywoodianas que inundam este e outros programas da tv nacional.

Carro: meu sonho, meu pesadelo.

Comprar um carro é para muitos uma conquista. O problema e quando compramos o carro e ganhamos problemas. Recentemente comprei um carro, que por certo é um bom veículo, um Nissan Livina 11/12. Primeiramente estranhei comprar um carro em fevereiro de 2011 e já vir modelo 2012. Mas enfim, estamos sujeitos as esquizofrênices do mercado. Apesar de bom carro, não sei o porque o ar que entra pelo sistema de ventilação esquenta a medida que o motor do carro esquenta. Depois de três revisões, de reclamação no serviço de atendimento ao cliente, nada mudou e, desisti. Sei que não deveria, mas cansei e meu escasso tempo para ir a concessionária e lá deixar meu carro acabou. Ouvi várias desculpas, até mesmo explicações bizarras (como: há uma pequena fresta por onde o ar quente do motor penetra no sistema de ventilação). Mas continuo achando que é um problema de engenharia e arquitetura do carro, e não de isolamento térmico. Então resolvi registrar o problema, para que outros saibam que podem não estar sós.

Partícipes da desgraça.

Todo verão vivemos uma enxurrada de noticias de inundações, deslizamentos, etc…, fruto das tempestades estivais. As vezes escutamos que grande parte delas é conseqüência de hábitos e costumes enraizados na população brasileira. Queria chamar atenção a um deles, pois vejo-o todos os dias no meu bairro, Flamboyan em Campinas-SP (é bom que as pessoas saibam assim talvez tenham vergonha do fato). Em quase todas as praças os vezinhos jogam seu lixo particular (galhos, podas de plantas, entulhos de obras, etc..) tornando estes poucos espaços verdes verdadeiros depósitos de lixo. As placas de “proibido jogar lixo”, que estão em toda parte, são totalmente ignoradas, como se não existissem. Pois é, como podemos reclamar de nossos governantes, se não somos capazes de repreendermos nossos vezinhos, ou se agimos de modo tão conivente com eles. Uma coisa me parece clara: se não somos capazes de colaborar e de iniciar a mudança em nosso entorno, pouco poderemos fazer ou exigir dos outros.

Quase educados!

Nos últimos anos ecoam as vozes de que a classe média brasileira está aumentando, e a pobreza diminuindo. Esforços para a melhora da educação também fazem parte das bandeiras levantadas pelos governantes em tempos de vacas gordas. Contudo, não faltam exemplos de que estamos ainda muito distantes de uma vida civilizada e de padrões harmônicos de boa convivência em sociedade. Ainda dependemos do transporte individual-particular, vemos pouquíssimos investimentos em transportes públicos-coletivos. Mas, são nas pequenas coisas que vislumbramos o quanto ainda temos que melhorar para aproximarmos de patamares do “primeiro mundo” tão almejada. Vejamos um exemplo: cada vez que vou ao cinema testemunho a incapacidade, ou melhor, a falta de educação e civismo, em comer sem deixar rastro e logo sair da sala levando o lixo produzido e colocando-o na lixeira. É incrível e insultante ver como pais, mães e, por conseguintes, seus filhos e filhas, deixam o espaço asqueroso e repleto de lixo. Será a escuridão do cinema a desculpa ideal para revelar nossa falta de educação e civismo? É por este, entre tantos outros exemplos possíveis, que continuo gritando por socorro, isto é, por uma educação cidadã mais efetiva!

Vergonha dos sem vergonhas!

Não posso deixar de mostrar minha profunda irritação com os vereadores de Campinas-SP, que, a exemplo de muitos outros vereadores, deputados e demais políticos, aproveitam o período festivo do final do ano para aprovar leis absurdas ou mesmo, como foi o caso em Campinas, um aumento de 126% dos seus próprios salários. Nem mesmo a revolta popular, a vergonha pública (acho que não sofrem deste problema), fizeram mudar de idéia. E pensar que um professor, com mais de 20 anos numa universidade pública, reconhecido como notório numa área do conhecimento científico e com muitas outras credenciais, nunca chegará a receber os 15.000,00 que eles se auto-determinaram. Olha que para ser vereador as exigências são bem diferentes.

A má educação: viva a solialite! Todos sabemos que dar bons exemplos é uma das maiores contribuições para um futuro social mais sustentável. Nesta semana testemunhei alguns fatos que me chamaram a atenção pois os péssimos exemplos observados foram todos realizados por pessoas que pertencem as classes mais favorecidas, tanto no acesso a educação como economicamente. O primeiro exemplo é o que podemos observar todos os dias na universidade onde trabalho, uma das mais importantes do país. Embora as regras de trânsito sejam claras e bem sinalizadas, vemos todos os dias o desrespeito de tais regras. Acho até, depois de ver isso durante muitos anos, que as pessoas se sentem mais inteligentes que os outros quando burlam uma regra. Ou pelo menos fingem que nada de errado estão fazendo. Por outro lado, tive a oportunidade de ir a um espetáculo de circo em São Paulo, e ver como as pessoas que tinham comprado entradas (ou estavam como convidados) chegavam atrasados, se levantavam no meio do show, molestando aos demais e demonstrando pouca ou nenhuma verganha por isso. É certo que a freqüência a espetáculos é baixa e que chegar aatrasado é alto comum numa cidade com o trânsito de São Paulo. No entanto, não ter vergonha de chegar atrasado e de passar na frente dos outros, sem sequer pedir desculpa, é o que me estranha. Só posso lamentar!

Adeus ao gênio da tecnologia

Esta semana vimos a comoção internacional pela morte de um empresário, ou melhor, um visionário e realizador tecnológico. Devo reconhecer minha admiração pelo trabalho de Steve Jobs, mas não posso deixar de pensar quantas pessoas maravilhosas nos deixam diariamente sem nenhum tipo de manifestação ou lamento. Como ele mesmo profetizou, não devemos para de pensar, e jamais deixar de acreditar em nossos sonhos.

Rock 2011: afinados e desafinados

Não poderia deixar de falar de rock, do Rock in Rio, 2011. Mega evento, de repercussão massiva! Desejaria ter estado lá, mas os compromissos familiares e profissionais foram mias que impeditivos. Mas, por sorte o canal Multishow transmitiu ao vivo (democratizando de certo modo), e nós, “relis” mortais, pudemos curtir um pouco desde grandiosa festa da música (hoje mais eclética e comercial). Tivemos também que ver como os repórteres são pessimamente preparados, não conseguindo falar nada além do superficial (cor do cabelo, figurino, etc..), com pouca ou quase nenhuma crítica musical. Mais uma vez perdemos a oportunidade de educar, musicalmente falando, o povo brasileiro, de mostrar como a qualidade artística é colocada a prova em apresentações ao vivo. Mas lamentável ainda, foi ver como a maioria dos cantores/as brasileiros/as desafinam mais do que podemos suportar, inclusive algumas “vacas sagradas” (como diriam os críticos mais ácidos). Vimos como muitos artistas precisam de um pouco de formação cênica para conseguir conectar-se com o público. Mas enfim, foi genial, mais uma grande oportunidade de deleitar o som de grupos mais ou menos famosos.

Saúde pública de qualidade: ainda é possível

Há apenas 21 dias, nasceu minha segunda filha Alicia. Durante um ano fizemos uma longa e maravilhosa preparação para realizar um parto natural e humanizado. Infelizmente não conseguimos realizar o parto totalmente como havíamos preparado, pois a única sala que permite este tipo de parto, não pode ser usada uma vez que o único docente em mais de 30 anos aposentou-se e não há ninguém que assumiu a realização dos partos humanizados de cócoras. A pesar disso, o momento é de celebração, primeiro porque Alicia nasceu com muita saúde e nossa preparação permitiu vivenciar um lindo parto. Mas a comemoração mais importante é a de que ainda é possível ter um serviço de saúde público de qualidade. Só podemos agradecer a todo o pessoal do CAISM da UNICAMP, pelo profissionalismo, pela qualidade do serviço e pelo tratamento atento e maravilhoso. Enfim, ainda podemos acreditar que é possível confirmar no sistema público, mesmo que casos como este sejam cada vez mais raros.

O jornalismo o e empobrecimento da linguagem

Vivemos em tempos da relatividade lingüística, do debate entre a língua culta e a popular, entre as formas coloquiais e as eruditas. Embora seja pessoalmente favorável ao respeito das diferenças e das peculiaridades regionais (ou locais) da linguagem, algumas coisas ainda me chamam a atenção. Hoje, fui surpreendido por uma reportagem, no canal de televisão mais importante no Brasil, onde a repórter usou a seguinte expressão: “puxar ferro é um excelente meio para detonar calorias”. Sei que posso parecer retrógada ou conservador, mas como especialista da área da saúde e como defensor do limite entre o relativismo e o “vale tudo” (que nos leva a um empobrecimento lingüístico e expressivo perigoso, a meu ver), não pude resistir.

Império dos Jalecos Brancos

Que alguns símbolos ainda possuem grande força em nossa sociedade não temos dúvidas, mas o uso deles é por vezes medíocre e inecessário. Ao menos penso eu! Muitos profissionais, especialmente da área da saúde (e por inércia muitos pesquisadores desta área) usam esta indumentária até mesmo em situações que não seriam necessárias, como em entrevistas televisivas ou em aulas. Parece que o poder do “jaleco branco” e seus significados (saber, pureza, …) ainda são mais atraentes que o próprio conhecimento. De fato o jaleco tem sentido nos espaços esterilizados e não no dia dia fora deles….

Alimentação e esporte: um péssimo exemplo

Ontem fui assistir uma competição regional de tênis de mesa, da qual um de meus sobrinhos estava participando. Foi um evento de inauguração de um espaço de treinamento que contrariando minhas expectativas ficou bom, apesar de ser um “puxadinho” no complexo esportivo de minha cidade natal. Mas queria chamar atenção para outro aspecto. Um dos técnicos presentes, saia frequentemente para a zona exterior para fumar, péssimo exemplo para as dezenas de jovens ali presentes. A competição se estendeu por mais de 8 horas (das 9 da manhã as 5 da tarde), quase ininterruptamente. Logo os jogadores buscavam saciar a fome com bolachas, salgadinhos, refrigerante e um mais que inadequado “churrasquinho” (espetinhos vendidos na frente do local). Não vou entrar no detalhes técnicos sobre os malefícios deste tipo de alimentação para a performance desportiva (minha esposa, nutricionista do esporte, que o diga), apenas saliento mais um aberrativo exemplo para as novas gerações de atletas. Não adianta ter bons espaços para treinar, bons técnicos, boas raquetes, bons tênis, se os demais aspectos são negligenciados.

Espaço para arte? Para que?

Sábado, 7-5-2011, tive a maravilhosa oportunidade de assistir o último Cabaré do Espaço Cultural Semente, em Barão Geraldo – Campinas – SP. Depois de 8 anos, de uma contribuição incalculável para a arte e para educação estética, o fechamento deste espaço (espero que temporariamente) reflete de modo claro e direto a incapacidade do poder público (federal, estadual e municipal) de estruturar nossa sociedade com os espaços e condições suficientes para que a arte converta-se num elemento central de nossa cultura. Devemos lembrar que Barão Geraldo é um distrito de Campinas-SP onde dezenas de grupos artísticos alimentam a sociedade com o melhor do teatro, da dança, do circo, da música…, um nicho cultural e artístico que rodeia a UNICAMP e cuja importância é reconhecida nacional e internacionalmente. Mesmo em lugares como este vemos como a arte enfrenta sérias dificuldades para manter uma existência digna e regular… Mais um exemplo do descaso da arte como parte fundamental para transformar nossa sociedade em algo melhor! Agora só posso agradecer ao Semente, ao Paraládosanjos e demais grupos que fizeram deste espaço uma realidade! Espero que as soluções para esta crise levem a condições melhores para a manifestação artística.

O palhaço humanista

Alguns dias atrás, tive um grato encontro com um palhaço, um andarilho do mundo, que em alguns minutos mostrou toda a sensibilidade que podemos exercer em favor da humanidade. No mesmo dia, tive a desagradável experiência de ver como cientistas debatiam-se, insultavam-se, afrontavam-se e até humilhavam-se, para ver quem podia ficar com um pouco mais de espaço (poder). Eis que os homens do saber não conseguem exercer o humanismo, e precisamos da ajuda dos verdadeiros humanistas, os artistas, neste caso, dos palhaços.

O império UNO e os REIS do asfalto

Não é que aas empresas descobriram que o UNO Mille é o carro mais adequado para as frotas. Bem, isso é o que parece, pois tenho visto milhares deles nas ruas com as logo-marcas de empresas de serviços (elétricos, internet, TV, …). Até aí nenhum problema! Porém, tenho visto como os condutores destes carros julgam-se os reis da rua, correndo, ignorando os sinais, como se a pressa deles fosse mais importante que a dos outros. Jovens em sua maioria, provavelmente correndo para que a comissão seja um pouco maior, mas esquecendo-se que o preço disso pode ser muito alto. Para além de destruírem os carros, algo que acredito ser pouco importante para as empresas (que mostram grande crescimento e lucro nos dias de hoje), estes pseudo-profissionais da condução, até podem entender de instalação, mas estão tornando nossas avenidas palco de uma ridícula corrida contra o tempo. Quem sabe um dia, empresas e funcionários entendam isso, ou mesmo, que nossa sociedade se revolte e atue para combater esta enfermiça situação.

Ridículo: é o melhor adjetivo para qualificar o tratamento dado ao consumidor brasileiro.

Em quase todos os produtos a qualidade vem sendo maquiada ou diminuída para que os altos índices de lucro possam ser mantidos. Os exemplos são inúmeros, desde o pacote de bolacha que a cada ano diminui (sem falar do recheio que hoje é quase uma lenda), até os calçados (mais caros e de pior qualidade. Alias, ainda há produto bom, porém acessível apenas a uma pequena camada da sociedade, com preços estratosféricos. Mais este manifesto foi motivado por uma coisa: acabei de comprar um carro, pagar um montão de dinheiro e o vendedor teve a audácia (é certo que ele faz o que mandam fazer), de me dizer: “eu vou ver se consigo os tapetes e …..”. Caramba, porque as empresas exploram tanto os países em desenvolvimento (e portanto menos críticos, desconhecedores de seus direitos e seu poder de reclamação), oferecendo carros nos quais falta tudo… a grande maioria das benesses, inclusive aquelas relacionadas com a segurança (que deveriam ser obrigatórias) são consideradas “assessórios”, ou seja, só terá quem pagar mais por isso. Nos países desenvolvidos, quando alguma tecnologia é inventada e se mostra positiva é imediatamente considerada padrão e incorporada a todo veículo fabricado. Porque ainda vivemos das migalhas, da exploração, da subestimação de nossa inteligência. E ainda dizem que o Brasil avança rápido, nestes aspectos estamos no paleolítico. Tenho a impressão de que o maior avanço ainda é o crescimento das diferenças.

Uma sociedade em crise Escandaloso e contraditório crescimento: um Brasil a beira do colapso O que significa crescer? Será que é comprar mais? O que significa desenvolvimento? Será que é mais carros na rua, mais dinheiro público e privado para financiamento (endividamento)? O que significa ser uma potência mundial? Será que é dar palpite na política de outras nações e trabalhar para esconder as lacunas da nossa? Em dez dias de Brasil, após meses viajando, só posso dizer uma coisa: o colapso é uma questão de tempo. Porque esta visão pessimista (mesmo vinda de um otimista)? Entre outras coisas por observar que em 6 meses os preços dos produtos (quase tudo) subiu entre 20 e 40%, e o poder aquisitivo entre 5 e 10 %, por observar uma inflação “anunciada”de aproximadamente 8 % ao ano e um encarecimento da vida (REAL) de mais de 15%. De ver como um país comemora que dobrou o número de licenciados (formandos no ensino superior) em 7 anos, mais não se atreve discutir a qualidade das milhares de instituições responsáveis por estes diplomas. Um país que comemorou decréscimos de 5 a 20 % no índice de homicídios (conforme os diferentes municípios) mais não informa a quantidade de mortes extra-oficiais, que nunca farão parte destes estatísticas. Um país que comemora um aumento de aprox. 5% no salário dos trabalhadores e assiste passivamente um aumento de mais de 50% nos rendimentos dos políticos. Enfim, acho que não estamos mais distantes de um modelo de país e de sociedade sustentável e satisfatório, porém não podemos esperar que somente o dinheiro mudará esta triste condição de grandes diferenças e patéticas políticas públicas. Só com muito engajamento popular é que teremos alguma chance.

Indústria do consumo: as festas infantis Tudo que existe neste mundo foi ou será transformado em produto do consumo: casamentos, batizados, festas de aniversário, bodas de casamento, etc… Nas festas infantis as crianças são presenteadas com imensas quantidades de presentes, muitos dos quais jamais apreciarão o valor ou terão interesse de brincar. Alguns destes brinquedos serão foco de interesse por alguns instantes apenas. Ou seja, mais um exagero. Este é o mundo que estamos construindo, um mundo de crianças que não lutam para conseguir o que querem, que não criam/inventam seus brinquedos, que jogam apenas alguns instante com cada brinquedo e, por tanto, não valorizam sua preservação ou mesmo seu potencial lúdico. Logo queremos estas crianças que se transformem e “bons” adultos…. Ridículo não? Será que o melhor presente não é alguns minutos de nossa atenção, um passeio, uma conversa, uma visita ao cinema, um pic-nic, um jogo familiar na praça….

Volume da TV

Finalmente alguém lúcido. Os EUA (e olha quem) aprovaram uma lei que homogeneíza o volume dos canais de televisão, inclusive no horário da publicidade. Será que um dia poderemos viver isso no Brasil, pois ninguém agüenta ter que colocar no “MUTE” ou abaixar o volume conforme muda de canal ou quando a publicidade começa.

Há humanidade no Natal?  Há saudosismo no final do ano? Há esperança para os tempos futuros?

Poucos são os movimentos sociais tão importantes em proporções mundiais como as festas de Natal. De forma diferente, porém com bastante intensidade, grande parte da humanidade celebra este período. A pesar da pressão (que já nem se preocupa em ser subliminar) para o consumo, para uma superficial e hipócrita religiosidade, e outros comportamentos patéticos que afloram neste período, como abraçar todo mundo mesmo que tenhamos ignorado esta pessoa toda uma vida. Sem falar em dar presentes, fazer caridade, quase como um pedido de desculpas por conviver com tantas diferenças e lutar tão pouco para acabar com elas. Assim, prefiro agarrar-me à possibilidade do encontro familiar, do fomento das amizades e da celebração da vida (natal –  nascimento). Observação: foi meu vezinho, um sábio senhor de mais de 80 anos, que deu-me o empurrão que faltava para escrever esta mensagem (um ingênuo manifesto), depois de 10 minutos de interessantíssima conversa.

Voltando a conversa…

Como é bom comprar, dar presentes, esbanjar, iluminar ruas e praças. Muito melhor seria atentar-nos para o tempo que “conseguimos” no Natal para ver amigos, sorrir, desejar felicidades aos familiares, avaliar mais um ano vivido… isso sim é magnífico. Como seria nosso mundo se tivemos 10% destes comportamentos e desta disposição a cada dia de nossas vidas? Como viveríamos se compartilhássemos todos os dias, se fossemos solidários e fraternos cada minuto? Como seria um mundo cujo Natal fosse celebrado a cada instante, e não encapsulado em escassas 24 horas?

Me emociono só de pensar!

Logo, aproveitamos (ou não) estes findos dias do ano para avaliar nossas vidas, do trabalho às amizades, da família as relações sentimentais, da economia a política… Nos arrependemos de algumas coisas, lamentamos outras e também nos parabenizamos por outras….  e quase sempre finalizamos mais um ano com novos projetos, desafios e muitas promessas… sabendo que a maior parte não passará de especulação e utopia, como uma massagem na alma (cujo resultado “positivo” é tão fugaz como o tempo que dura a sessão). Porque não usar estes tempos de avaliação, de auto-avaliação, para profundas reflexões e inflexões sobre nossos valores, nossas vidas?  Quem está disposto? Logo, as mensagens de ano novo fluem em todos os meios (TV, radio, correio, internet, fumaça, boca, pensamentos,…) repletas de desejos de tempos melhores. Mas, em que temos que melhorar?

Novamente precisamos de mais que desejo, precisamos de atitude, para realmente podermos viver tempos melhores, onde os valores humanos, a amizade, a bondade, a ética, superem a inveja, a ganância, a maldade, a violência. Como podemos ajudar para que isso aconteça?

Talvez seja esta a grande mensagem para vivermos um próspero ano novo!

Pois bem, vamos lá, para uma batalha da qual gostaríamos de não fazer parte, mais que nos é inevitável, ao menos se queremos realmente que a fábula de Natal um dia seja parte de nossa vida real. Deixo-lhes alguns vídeos que mostram que muita coisa ainda é possível, sempre e quando a criatividade seja o carro chefe de nossa atividade existencial: http://www.youtube.com/watch?v=tgtnNc1Zplc + http://www.youtube.com/watch?v=onAFBcntH90 + http://www.youtube.com/watch?v=rkNYPSYQs94&feature=related + http://www.youtube.com/watch?v=9BdFUrCwhqc&feature=related

Vivendo uma grande ilusão.

A história recente do Brasil é recheada de aspirações de transformar este país numa potência internacional. Sensíveis avanços foram conquistados no setor econômico, na política internacional e também em outros quesitos. Mas será que realmente alcançamos níveis mais elevados de civilidade, qualidade de vida e equilíbrio social. Uma observação mais atenta nos meios, na realidade que nos cerca, nos fatos e na vida cotidiana me parece mostrar que estão diante de uma grande ilusão.

Quando vemos que, a medida que um bairro ou uma cidade cresce e ganha maior poder aquisitivo, suas fortificações e medidas de segurança também são multiplicadas, já podemos intuir que algo não funciona tão bem. Arame farpado, cercas eletrificadas, guaritas nas ruas, coletes a prova de balas, segurança privada e até uma produção gigantesca de carro blindados confirmam que esta anunciada prosperidade está associada ao aumento da violência.

Vemos um aumento dos grandes executivos, de cargos políticos e de consultoria com salários incríveis, muitos acima das médias das maiores potências econômicas. Paralelamente vemos o aumento da exploração do trabalho, dezenas de pseudo-escravos balançando bandeiras por horas no sol em troca de alguns reais, dezenas de cortadores de cana miseráveis para fazer girar uma multi-milionária indústria de álcool. Mas um indicador de que as diferenças só crescem, e que o aumento do PIB não se reflete não diminuição acelerada das diferenças sócio-econômicas enraizadas em nosso país.

Seguimos…

Vergonha

Vemos grandes avanços na produção científica brasileira, apesar da sérios enganos com relação a qualidade da pesquisa, seus reais impactos na sociedade e nas políticas que podem garantir sua continuidade. Mas, mesmo com este avanço, vemos o crescimento de cursos fantasmas, faculdades mais parecidas com bares, aulas sem qualquer qualidade… eis mais uma das grandes contradições, que nublam uma visão mais objetiva e realista da sociedade em que vivemos.

E porque não falar da vergonha. Porque vivemos num pais que muitas das profissões, ou tarefas que precisam ser desempenhadas, são olhadas como vergonhosas. Porque ainda pensamos em práticas profissionais mais importantes, em detrimento de outras. Há algum hospital só com a presença de médicos? Há alguma escola que funcionaria sem a presença, nobre e necessária, de seus funcionários… O que seria de um teatro, uma universidade, um restaurante, sem todos os profissionais que permitem sua existência e funcionamento. Nesta lógica, todos somos importantes e todos deveríamos aspirar um reconhecimento por uma atividade bem desempenhada, independentemente se ela é mais ou menos visível, exposta. Todos deveríamos entender que as instituições, e por tanto, nossa sociedade, só funcionaria bem, se cada um realizasse sue trabalho com qualidade e dignidade… Contudo, seguimos numa sociedade que tem vergonha dela mesma, que não luta pela dignidade de seus membros, que almeja o mesmo para todos, o que é insustentável. Não poderemos ser todos médicos, todos professores, todos engenheiros… Nem precisaremos todos ter diploma universitário, pois muitos ofícios não dependem desta formação, mais sim de conhecimentos bem atribuídos e utilizados. Quando a equipe de limpeza ganhar um salário não tão diferente ao dos médicos (desculpe usar este exemplo, outros tantos seriam possíveis, mas este pode facilitar certas racionalizações), talvez teremos uma sociedade com menos inveja, com um reconhecimento mais equilibrado de todos, e assim maior harmonia entre seus cidadãos.

Mais um abismo social que precisamos superar para poder aspirar a uma civilidade que nos permita viver em paz e em comunidade, sem medos, sem guerra civil (esta que vemos na TV e que ninguém admite que existe), sem duvidar que as ruas, as praças são espaços de convivência.

Escravidão urbana

É frequente escutarmos falar de casos de trabalho escravo ou em regimes similares a escravidão. Há uma atividade que se essemelha muito a isso bem diante de nossos olhos. Me refiro a publicidade humana que grandes construturas vêm utilizando para anunciar seus grandes projetos arquitetônicos. Centenas de jovens trabalham para receber alguns reais, sustentando e balançando bandeiras pelas ruas, debaixo de sol escaldante, com alguma água e pouca atenção de quem circula. Como é triste ver mega-empresas explorando jovens necessitados para expor seus grandes negócios. E depois estas empresas falam de qualidade de serviços, respeito aos direitos humanos e atividades sustentáveis…. Nem sempre podemos dizer que algo legalmente estabelecido, como é este tipo de trabalho, é de fato ético, moral e adequado para uma sociedade que pretende a igualdade e a dignidade de seus membros.

Quanto mais tenho mais quero ter

Sim, vivemos numa sociedade do ter, do possuir, de acumular, mesmo e quando nem sabemos o porquê temos, possuímos ou acumulamos. Apesar de vivermos em um país jovem, de poder acompanhar o que aconteceu com civilizações mais antigas, parece que não conseguimos enxergar os problemas enfrentados por aqueles que hiper-valorizaram as posses em detrimento da educação, da saúde e de outros aspectos que permitam uma maior qualidade de vida e uma sociedade mais harmônica. Independente da classe social esta atitude parece imperar, oferecendo-nos uma insustentável realidade. Quantas vezes paramos para pensar em tudo o que possuímos e que raramente ou nunca usaremos, em virtude de já possuir o suficiente. Quantas famílias possuem dezenas de copos, pratos, talheres e outros inúmeros pertences a mais do necessário? Talvez a maioria! Quantas pessoas possuem mais de um veículo, seja carro, moto ou bicicleta? E logo, vivemos reclamando da necessidade de vias com menor fluxo de carros, de menor gasto de água para lavar carros, e outros tantos transtornos oriundos de excesso, do exagero, do acumulo material! E o que dizer dos produtos de limpeza, de higiene pessoal, de perfumes, de pequenos objetos ornamentais que se acumulam tanto frequentemente precisam ser descartados em massa para poder dar lugar a outros supérfluos. E logo, acompanhamos um amplo debate sobre sustentabilidade, sobre cuidado e preservação ambiental, e o único que assistimos é um aumento do consumo. A coqueluche da atualidade são os equipamentos eletrônicos, objetos que se acumulam as dezenas nas gavetas e armários de grande parte da população… algo que certamente poderia ser minimizado com um consumo consciente e mais reflexivo. Certamente, grande parte deste acumulo desnecessário poderia ser útil para outros, e caso o consumo fosse menor, a degradação do ambiente também seria, e provavelmente poderíamos ver uma situação menos preocupante com nosso meio. Enfim, acredito que já é hora, alias, passou-se o tempo, de que façamos mudanças importantes em nossa atitude consumidora, em nossa capacidade de pensar o porque adquirir algo e em sua real necessidade.

Pobreza criativa ou lixo publicitário

Vemos um assustador aumentado nas propagandas agressívas, as vezes incitadoras, contrárias aos valores morais e éticos fundamentais para nossa vida harmônica em sociedade… É nítido como algumas empresas combatem abertamente e de forma vulgar suas concorrentes… nós apenas aceitamos, passivos e inertes a este lixo…. Haja vista uma nova bebida com nome vulgar, associada a imagem de uma pesonalidade (tão artificial quanto vulgar), que despeja milhões em publicidade imunda, apelativa e completamente inadequada a maior parte dos ouvintes…. e ainda acham que temos alguma chance de alcançarmos a vicilidade e o respeito mútuo, típico de uma sociedade equilibrada…. Uma lástima.

Laranja, quase de verdade

Há alguns dias pedi um suco de laranja e me entregaram um recipiente que trazia o seguinte slogan: “feito com carinho”. Por instantes imaginei um pomar (laranjal) lindo, com laranjas sendo colhidas a mão com luvas brancas de algodão, lavadas em água corrente do riacho que descia da montanha, selecionadas e espremidas uma a uma. Logo despertei e lembrei que se tratava de um suco de caixinha, industrialmente produzido. Então me questionei: será que as máquinas, estes autômatos que fazem todo o serviço, já demonstram afeto, carinho e outros sentimentos e eu não me havia interado deste feito. Ou estava diante de um ridículo apelo publicitário, próprio de um rótulo que subestima a inteligência humana e nossa capacidade de discernimento entre algo natural e algo que possui na fórmula diversos componentes do tipo “HD10″, e casualmente também uma pequena quantidade de suco natural de laranja. Há tanta petulância e falsidade nestes anúncios e rótulos que alguns produtos artificiais anunciam que trazem 3 ou 5% de suco natural, como se estivessem contribuindo para uma dieta natural e salutar. Que pena!!!

Quase novo! Já nascemos velhos!

Há algum tempo vivemos uma ridícula e doentia realidade quando o assunto é a compra de carros novos. Já nos primeiros meses de ano as montadoras começam a anunciar sistematicamente descontos para a compra dos modelos no ano posterior, ou seja, fazem um lançamento do modelo do ano seguinte entre 8 e 10 meses antes. Com isso criaram um mercado de expectativa, de vaidade, de urgência e naturalmente de desvalorização daquilo que se adquire. Não a mais um modelo do momento, não há um carro que perdure no tempo, apenas uma corrida interminável e com referentes inalcançáveis. Patético! Será que o mercado, os consumidores, aqueles que pagam os acréscimos que esta dinâmica gera, não levantarão a cabeça para propor uma mudança? Será que teremos sempre que comprar um carro 0 km e sentirmos que já estamos conduzindo um veículo do ano anterior, velho, obsoleto ou fora do mercado? Será que viveremos de forma saudável este mundo com esta sensação de urgência e de ter ficado para trás? Enfim, nos transformaram em velhos, em ultrapassados!

Escravos e injustiçados.

A escravidão é um fenômeno presente em muitos lugares e em diferentes momentos históricos. Nem sei, se poderíamos falar de algum lugar onde não há ou onde não houve algum tipo de escravidão. O fato é que, apesar de tudo o que tenhamos conquistado de civilidade, modernidade, justiça, normatização social, etc.. ainda é possível ver exemplos de escravidão diante de nossos olhos. Naturalmente as noticias se focam em escravos ou quase-escravos que atuam na exploração do carvão, na extração ilegal de alguma matéria prima, na mão de obra de pequenas empresas, quase sempre em lugares distantes, regiões isoladas, onde há pouca educação, pouca fiscalização, pouca justiça e muita dominação humana, política, econômica e até racial. Porém não é disso que quero tratar agora, mas sim de uma escravidão presente nas cidades, das menores as grandes metrópoles. Me refiro aos suportes humanos de bandeiras e cartazes de divulgação de novos empreendimentos imobiliários ou outras ações propostas por grandes corporações. Jovens, e até crianças, que passam horas no sol, nas ruas, nos semáforos, em troca de alguns reais e que precisam balançar, acenar, rir, e até mostrar-se feliz, divulgando algo que jamais terão oportunidade de viver, de alcançar. Até quando este tipo de trabalho escravo, que certamente subestima a condição humana e explora a necessidade e a falta de oportunidade dignas, para obter uma mão de obra barata e sem nenhum tipo de direito e respeito. Lamentável, porém real e pouco criticado pela sociedade na qual vivemos, que se julga tão avançada!!!!

Futebol, esporte e modernidade

Há poucos dias vimos a clube Inter de Milão conquistar a Liga Européia (Champion League) de futebol. O mais curioso da vitória foi que o primeiro jogador italiano deste tradicional time entre em campo aos 45 minutos do segundo tempo. E assim vai o esporte, uma babilônia, muito distante da representatividade regional ou nacional, e muito mais perto da hegemonia dos grandes investidores. E assim vamos, vendo cada vez mais atletas nacionalizados representando outras nações, buscando espaço e conquistando divisas, mas também distanciando de uma das características do esporte internacional: a representação nacional.

Lamentável,

É o que penso quando veja um filme nacional anunciado no canal de maior impacto no Brasil, destinado ao público infantile sob o titulo: Os porralouquinhas. Será que diretores, produtores e a sensura não encontraram um nome mais criativo e menos baixo para esta produção… Uma Pena! Uma pobresa! Enfim, mais um exemplo que ajuda a explicar a pobresa cultural que permeia nossa sociedade.

Futebol, copa do mundo, extravagância e colapso social

Realmente vivemos o Futebol como nenhum outro fenômeno social e cultural brasileiro. Em tempo de Copa do Mundo algumas de nossas fantasias e esquizofrenias ressaltam permitindo aproximações no mínimo sugestivas. Nas últimas semanas vimos brotar um espírito de congraçamento, de festa coletiva, mas também de atordoamento social e político. Vimos um propício momento para deixar uma eleição presidencial que se aproxima num segundo plano. Vimos como escândalos de corrupção e de incompetência política desapareciam das manchetes da mídia. Assim, voltamos a viver anestesiados e entorpecidos pela euforia futebolística. Logo, projetados por uma economia favorável testemunhamos como o consumo dos produtos alusivos ao futebol e à seleção brasileira tornou-se um ato incontido, quase impulsivo. Na inércia do consumo e da gastança desmedida muito gastaram bem mais do que precisavam para desfrutar de um momento esportivo. Apesar de sentir-me contagiado com a alegria que se transpira neste momento, e mesmo sabendo que seu impacto é insignificante para nossas reais necessidades afetivas e sociais, acredito que há algo de positivo nesta experiência quadrienal. Temos uma nova oportunidade de ver nossos amigos, de ficar com a família, de ensinar nossos filhos o valor de uma nação, a importância de unirmos para uma conquista coletiva. Contudo, há atitudes que precisam ser repensadas, para evitar graves conflitos no futuro. Basta ver como alguns se preocupam mais em exaltar suas cidades, seus clubes, suas paixões, em vez de ater-se apenas as questões da equipe que nos representa. Tanta pobreza tem sua origem numa veneração exacerbada e numa falta de entendimento dos reais valores patrióticos que certamente são mais relevantes quando precisamos incentivar nossos representantes. Enfim, é com estas contradições que o futebol configura-se um fenômeno complexo, apaixonante, que continua causando ansiedade, tensão e muita expectativa num povo que anda bem esperançoso com as conquistas econômicas.

Contra as leis da vida

Tenho observado, mais do que gostaria, um movimento intenso onde as pessoas subestimam ou mesmo rejeitam os imperativos da natureza ou da vida social. Nossos tempos exalam informações sobre as conseqüências maléficas do tabagismo, da bebida alcoólica em excesso, do sol em excesso, e tantas outras situações que degradam nosso corpo e portanto, nossa condição humana: de seres vivos. Já não podemos alegar, ou pelo menos a maioria de nós não, sobre tais problemáticas de nossos tempos. Do lado social, vemos como as advetencias sobre deixar filhos e filhas todo o dia em mãos de terceiros (escolas, cursos, praticas esportivas, babas, etc.) vem gerando problemas de comportamento e logo, grandes problemas sociais no futuro. Muitos delegam a educação de seus filhos para outros, sem que isso lhes traga qualquer constrangimento. Logo não entendem porque sua comunicação – e respeito – com seus filhos não funciona como eles imaginavam que deveria. Alguns depositam nos avós a responsabilidade da educação e até da criação, e depois acham que seus filhos vão entender-lhes. Vemos multiplicar-se os casos de gestação após os 40 anos ou em idades ainda mais avançadas. É claro que todos tem direito a esta linda experiência, mas estamos diante de uma condição social impondo-se às biológicas, que certamente tem forças incríveis. Logo vemos as conseqüências: mais e mais bebês prematuros, com inúmeras enfermidades e fragilidades que podem ter ligação com a condição em que foi gestado, etc…. Vemos ainda, como a busca (social) por um corpo bonito faz com que milhares de pessoas freqüentem as praias nos horários que sabemos serem prejudiciais a nossa saúde. Mas, como são extremamente inteligente, se entopem de loções protetoras e se sentem completamente isentas das forças do sol, astro que certamente desconhece os protetores e não perdoa exageros. Enfim, será que ainda está tão obscuro que este desrespeito, ou esta falta de atenção, com as leis da vida e da sociedade estão gerando conseqüências terríveis a nossa vida em comunidade.

Migrar e imigrar, como pensar ou condenar este ato humano

Há muito tempo venho pensando sobre a migração e a imigração, complexos fenômenos que frequentemente são tema dos noticiários televisivo e dos debates públicos. Porém, como faltar, e o quê falar, sobre algo tão delicado. Foi nas andanças pelo mundo, onde fui levado a viver algumas experiências de deixar meu lugar de origem e viver na condição de migrante ou imigrante, que construí algumas considerações que apresento aqui. Breves, inconclusivas e minhas.

Em primeiro lugar, vejo em todas as esferas sociais (ricos, pobres, etc..) nas diferentes áreas (empresarial, esportiva, artística, etc.) e em todos os lugares, que a mobilidade de pessoas nos territórios só aumentam, a pesar das políticas sobre este assunto tornarem-se cada vez mais ostensivas e agressivas. Parece que há uma tentativa de fazer das fronteiras territórios hostis, que não deveriam ser transpassados. É claro que tais políticas afetam muito mais as populações mais carentes com recursos econômicos mais frágeis, mas são maléficas a todos, e fingimos não perceber isso? Eis aqui uma contradição: precisamos da mobilidade, inclusive para avançarmos como humanidade, porém ela é combatida constantemente. Então só posso perguntar: quem são os indesejáveis, que não deveria mover-se, quem não desejamos que venham viver conosco?

Quando há interesse (político, comercial, financeiro, etc.) as barreiras e fronteiras quase desaparecem, então me questiono: porque não pode ser assim para todos? Será que não é evidente que a maioria das pessoas só deixam suas terras de origem quando estas já não lhes oferecem o que buscam ou não cumprem suas ambições ou necessidades como seres humanos. Deixar seu lugar de origem sempre é uma ação desgastante, por isso em geral evita-se ao máximo.

Ainda há alguns poucos povos nômades, porém vemos cada vez mais a formação de estudiosos nômades, pesquisadores nômades, artistas nômades, esportistas nômades, enfim, pessoas que não olham as fronteiras, mais sim onde podem desempenhar suas habilidades. E ainda continuamos criticando e discriminado os nômades, mesmo aceitando-os quando nos interessa.

Outro exemplo possível é o setor acadêmico. Para as grandes universidade (americanas especialmente, por terem recursos econômicos que permitem isso) os estrangeiros são bem vindos, , sempre que ofereçam algo que lhes interessa. Em contrapartida, vemos cidadãos dos mesmos países destes pesquisadores serem tratados como animais e de modo discriminatório pelas autoridades destes países. Enfim, são tantas as contradições e mentiras que envolvem este debate que chegam a ofender nossa inteligência. Finalmente, somos obrigados a escutar semanalmente os discursos hipócritas das autoridades, e ver como as políticas nacionais e internacionais punem, proíbem e voltam-se para ao povo que pouco pode fazer contra elas.

Encontros: pessoas e famílias que se cruzam e beliscam a humanidade

Durante nossas viagens registramos os monumentos, as praias, os objetos inusitados, os momentos mais marcantes, porém grande parte do que aprendemos pouco ou quase nada fica registrado… me refiro aos encontros com pessoas desconhecidas, com famílias que nunca havíamos conhecido… São estes momentos onde temos um contato profundo com experimentadores da cultura local, testemunhos reais da vida naquele lugar…

São estes informantes que nos contam os atalhos da cidade, as dificuldades enfrentadas, as manhas e truques para conseguir as coisas, e quase sempre os perdemos com apenas virar a esquina… uma vez um senhor nos pagou um ônibus em Baden Baden (Alemanha), num domingo de manhã onde só nós estávamos lá, perdidos, sem dinheiro daquele país, sem comunicar-se no idioma local.. enfim: completamente largados ao destino…. e lá estava aquele senhor, falando inglês, pagando o ônibus, explicando o caminho. Segundos depois, após deixar o ônibus nunca mais lhe vimos… mais um contato fugaz, porém importante e revelador da humanidade necessária para sermos felizes e vivermos em comunhão com nossos próximos…

Quando transformamos uma profissão noutra

Já foram os tempos láureos das tripulações das aeronaves que levam e trazem os milhões de passageiros pelo mundo. Houveram tempos de grandes salários, de estatus social, de um trabalho onde a simpatia, a elegância, a beleza, a cordialidade, a educação eram essenciais. Quanta saudades destes tempos. Vemos hoje, com o exponencial crescimentos das cias aéreas, uma diminuição da qualidade dos serviços oferecidos em quase todos seus aspectos. Em geral vemos uma tripulação cansada (de repetidos vôos), desgastada por salários bastante mais justos, e que principalmente nas companhias de “low cost” se converteram em “vendedores de pipoca”. Sua preocupação passa rapidamente pela acomodação dos passageiros, ou melhor, com acompanhá-los visualmente, e logo iniciam uma incessante corrida para vender bebidas, alimentos e no final correr para vender os produtos da “lojinha” da empresa. Já não vemos tanta elegância em seus atos, sentimos pouca paciência pois os vários vôos desgastam bastante, transformando sua profissão em algo que pouco lembra (embora ainda com certo romantismo) seu glorioso passado.

Ônibus voador.

É certo que muitas mais pessoas puderam realizar o sonho de viajar para lugares distantes, especialmente em avião nos últimos anos. Os preços e as promoções são cada vez mais convidativas. Mais esta situações esconde uma desastrosa e degradante situação. Vemos muitas aeronaves desgastadas, com uma manutenção interna (limpeza, arrumação, revisão dos carpetes, estofamentos, etc..) que não consegue dar abasto aos inúmeros vôos, e a atividade quase sem descanso das aeronaves. Vemos aeronaves sujas, muitas já feitas sem acessórios (bolsa para revistas, …), vemos embarques feitos caminhando pelos pátios dos aeroportos para economizar os serviços dos ônibus, cobranças de taxas para tudo, filas sem prioridade para (famílias com crianças, idosos, etc..), tudo pensado para que o custo do vôo seja o mais baixo possível, e ao mesmo tempo para que a qualidade dos serviços quase desapareça.

Quem “cagou” no português

Para além de uma piada com nossos colonizadores, e seus descendentes contemporâneos, é algo que não consigo deixar de pensar, pois cada dia que passa cresce meu interesse em saber “quem” foi o responsável por tantas diferenças entre o idioma que chamamos português no Brasil e o que nossos colegas lusitanos denominam Português. São muitas as diferenças, algumas de natureza semântica, outras modais ou de forma, porém inúmeras contradições e até negações que nos deixam em situações delicadas, ou em completo desespero, seja por não compreendermos ou mesmo por não poder expressa-nos com clareza. Mais que puritanismo lingüístico, que tradicionalismo ou conservadorismo acadêmico, precisamos de sabedoria para lidarmos com esta conjuntura pouco produtiva em tempos onde a coletividade mostra-se um excelente caminho para avanços sólidos em quaisquer campo da vida social.

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