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MARCO BORTOLETO - MANIFESTO PESSOAL |
Durante esta minha breve passagem pela vida
carnal venho tentando reconhecer a diferença entre o bem e o mal, entre a vida
e a morte. Creio que o maior problema do mundo atual reside exatamente na
palavra "diferença". A sociedade capitalista moderna vem
transformando cada vez mais nosso planeta em um mundo de diferenças, sejam elas
econômicas, sociais, culturais, religiosas, etc....
Sobre algumas de estas diferenças, as quais
considero um absurdo, um abuso da qualidade de ser humano, é que escrevo
algumas palavras. O objetivo deste manifesto é provocar algum tipo de reflexão
nas pessoas que visitam meu mundo web, através do qual expresso parte de meu
mundo intelectual.
Espero que, ao conhecer alguns de meus pensamentos,
as pessoas além de ficar fazendo julgamento da minha pessoa, possam fazer
julgamento delas mesmas, para ver se não fazem parte (conscientemente ou não)
de este mundo de diferenças absurdas.
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ABSURDOS DA
SOCIEDADE MODERNA |
Como podemos viver num país (me refiro ao
Brasil) onde existem uma maioria de trabalhadores (a grande massa) que
recebem menos de um salários mínimo por mês e uma minoria (a elite, marajás,
políticos, como queiram chamar) que recebem uma pequena fortuna todo mês.
Isso sem mencionar aquela imensa quantidade de
gente que nem trabalho possui e que por tanto não recebe nenhum centavo ao mês.
Porquê esta diferença? Será porque algumas
pessoas crêem que algumas profissões são mais dignas que outras? Será porque
alguns seres humanos devem ter vantagem sobre outros? Será porque aqueles que
nasceram pobres ou que tem menos oportunidades devem continuar sofrendo para
manter a outra porção rica da sociedade?
Para os que não acreditam nisso, vejam a
matéria publicada pelos jornais Estadão e Folha de São Paulo no dia 19-12-02
sob o titulo de "Parlamentares aumentam salários para R$ 12 mil",
uma "elevação de quase 60% que custará R$ 36 milhões por ano à
Câmara e ao Senado uns R$ 15,4 milhões". Texto original do jornalista
Gilse Guedes.
"BRASÍLIA – A três dias do fim dos trabalhos legislativos, o Congresso
aprovou ontem, com apoio do PT ao PFL, projeto que eleva os salários dos
deputados e senadores que assumirão em fevereiro, de R$ 8.240 para R$ 12.720.
Isso representa reajuste de quase 60%. Sem alarde, os deputados chegaram a
aprovar, inicialmente, uma proposta que aumentava os vencimentos para R$ 17,1
mil, mas, diante da reação e do constrangimento de alguns no plenário, a Mesa
da Câmara recuou e mudou rapidamente o texto. No Senado, o projeto de resolução
foi aprovado mais à noite, sem discussão, em menos de dois minutos. Com
isso, a Câmara passará a gastar R$ 36 milhões a mais por ano com pagamento dos
salários dos deputados. A despesa total será de R$ 108 milhões anuais, se forem
computados os salários extras com as convocações extraordinárias – um total de
15 salários anuais: 12 salários, 13.º e dois outros vencimentos, um recebido no
início da legislatura e outro no fim. Haverá ainda impacto na folha de pessoal,
pois metade dos 3,8 mil funcionários da Câmara é beneficiada com o reajuste dos
parlamentares já que estes servidores recebem a chamada função comissionada, um
índice que varia de 2% a 30% dos vencimentos dos parlamentares. No Senado, o
gasto, que hoje é de R$ 9,9 milhões ao ano, deverá ser de R$ 15,4
milhões.
A brecha para garantir o valor de R$ 17,1
mil – o que elevaria em mais de 100% os salários dos parlamentares – foi uma
manobra patrocinada por alguns integrantes da Mesa Diretora, entre eles o novo
presidente da Câmara, Efraim Moraes (PFL-PB), e o primeiro-secretário, Severino
Cavalcanti (PPB-PE). “Com esse projeto, poderemos aumentar para R$ 17,1 mil”,
reconheceu Cavalcanti. Era um antigo sonho do baixo clero da Câmara
liderado por Cavalcanti. Seu objetivo era equiparar os vencimentos dos
congressistas aos rendimentos totais dos ministros do Supremo Tribunal Federal
(STF). Acordo – Cavalcanti e Moraes chegaram a passar por cima de um acordo
fechado pelos líderes partidários da Câmara e do Senado e elaboraram uma
proposta diferente da que havia sido acertada. Pelo acordo, que contou com o
apoio do líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP), cotado para ser o novo
presidente da Casa, o salário dos deputados e senadores seria de R$ 12.720. “A
bancada do PT defendeu o reajuste. Mas se não ficar claro que o valor é R$
12.720, o projeto não terá nosso apoio”, disse João Paulo. O primeiro artigo da
proposta, que depois foi modificada, dizia que a remuneração dos membros do
Congresso corresponderia à maior remuneração de ministro do STF, incluídas as
vantagens pessoais. O problema estava neste ponto, pois, se fossem consideradas
as vantagens acumuladas pelos ministros do STF, o salário dos parlamentares passaria
para R$ 17,1 mil. Diante do constrangimento, a Mesa elaborou um destaque
tirando do projeto os termos que abriam essa brecha. Muitos deputados que
estavam em plenário nem sabiam o que havia sido aprovado inicialmente, entre
eles o deputado Roberto Brant (PFL-MG). “Pelo que sei, o salário será de R$
12.720. Eu recebo isso com alegria, porque eu vivo de salário. Esse não é o
caso de 80% da Câmara. Já ouvi deputado dizer que o salário é apenas uma mesada
para o filho ”, disse Brant. No plenário, o deputado Benito Gama (PMDB-BA)
admitiu que o texto não estava claro. “É uma pouca vergonha”, reagiu o deputado
Dr. Rosinha (PT-PR). A votação do projeto foi simbólica e durou poucos minutos.
Ocorreu, estrategicamente, em meio à apreciação das contas da gestão do
presidente Fernando Henrique Cardoso, para não haver muito alarde. "
Bom,
espero que certas pessoas percebam que nosso país não pode melhorar
enquanto o povo não manifestar sua extrema indignação com esse tipo de
diferença. Lembrem-se, somente a massa, "o povo", pode mudar uma
nação.
Quanto ganha um cidadão brasileiro? Porque
quanta diferença? Será que todas as profissões não têm sua importância?
Pensando nisso resolvi expor uma média do
salário de algumas profissões, valores aproximados observados em varias fontes
(revistas, jornais, discursos, etc..):
-
Fiscal da receita federal: salário inicial
7000 reais
-
Professor do estado ou municipal 1500-2000
reais
-
Assistente doméstico ou faxineiro: 450-700
reais
-
Médico geral: 3000-10000 reais
-
Professor universitário (público): 2700-4500
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Aposentadoria precipitada: um crime para os
verdadeiros trabalhadores |
Nossa sociedade desenvolveu um sistema de trabalho que se diferencia totalmente
segundo a classe social de procedência, o tipo do trabalho realizado e a força
que tenha na sociedade o coletivo de trabalhadores. Independente destas
diferenças a maioria dos trabalhadores, simples mortais, são obrigados a
obedecerem uma regra geral que determina um mínimo de 30 anos trabalhados para
aposentar-se com 80% do salário base (médio da arrecadação dos últimos x anos)
e 35 anos para aposentar-se com 100%. Além disso, a idade mínima de
aposentadoria é de 65 anos para homens e 60 para mulheres. No entanto, existem
algumas profissões que por seu risco ou desgaste físico-psíquico conseguiram
estabelecer regras especiais para antecipar o período de aposentadoria, como é
o caso de mergulhadores ou trabalhadores expostos a radiações.
Por outro lado, algumas
atividades com grande poder político conseguiram burlar a consciência coletiva
e de forma disfarçada lograram modificar a lei estabelecendo um ventajoso e
especial trato para seus trabalhadores. Esse é o caso do militares e
principalmente dos políticos e alguns altos cargos do sistema judiciário ou
parlamentário.
Em alguns casos esta
diferença chega a limites inaceitáveis como por exemplo no caso de deputados e
senadores: estas pessoas, que por certo não realizar nenhuma tarefa mais
complicada ou perigosa que de nenhum outro trabalhador além de receber
múltiplas ajudas econômicas e de ter um salário muito superior a maior parte
dos trabalhadores que representam podem aposentar-se com 3 mandatos, ou seja 12
anos de trabalho. Porquê esta diferença? Qual o motivo de tanta distinção? Este
tipo de diferença é o que ajuda a provocar corrupção do ser humano e de tantos
outros problemas que podemos observar entre esta classe de pessoas, poderosos
em grande parte sem escrúpulos e protegida por um sistema de leis totalmente
injusto, ao menos neste aspecto. Diferença do valor hora/trabalho conforme a
profissão e o estatus social do trabalhador. - Uma lógica difícil de entender e
impossível de aceitar. (manifesto enviado ao Jornal Estado de São Paulo,
10-05-2005).
Não é preciso fazer um
exame muito detalhado da nossa sociedade para ver que o estatus social e o
prestigio são fatores determinantes para o cálculo do preço dos serviços que os
diferentes profissionais realizam.
Freqüentemente vemos que os mesmos serviços prestados
por pessoas com diferentes níveis de prestígio social tenham um preço
totalmente diferente. Esta lógica afeta quase todas as esferas, âmbitos e
profissões que conhecemos. Nesta oportunidade queria dissertar sobre uma destas
injustiças que está afetando a muita gente e por estar ocorrendo tão distante
do Brasil possivelmente nunca chegaria ao conhecimento da opinião pública.
Neste ano de 2005 o governo espanhol aprovou uma lei que permite a legalização
de todos os trabalhadores estrangeiros ilegais que vivem em Espanha desde
agosto de 2003, desde que seus empregadores apresentem uma proposta oficial de
trabalho acompanhada de alguns documentos. Este os documentos exigidos está o
Certificado de Antecedentes Penais. Este documento deve e remetido pela policia
federal brasileira, autentificado pelo Consultado Brasileiro aqui na Espanha e
posteriormente traduzido por um tradutor juramentado. Segundo podemos observar
pela cobertura que está realizando a imprensa espanhola a tramitação dos
expedientes já chegam a quase 800.000, e possivelmente alguns milhares sejam de
cidadãos brasileiros. A autentificação que realiza o Consulado consiste em
colocar um selo oficial (de 1,5, cm x 1,5 cm), um carimbo e que seja preenchido
por um funcionário (3 linhas) e assinado por um responsável legal. Este
procedimento tem uma duração media de 2 minutos (valor aproximado alto). E o
preço é de 12,5 euros (aprox. 40 reais). A questão é a seguinte: Que
profissional ou que entidade fatura este valor em dois minutos de mão de obra?
Que trabalhador ganha tudo isso em dois minutos de esforço? Em minha opinião
qualquer serviço deve ter um preço, mais o que não consigo entender é porque
alguns serviços custam tanto e porque justamente quando existe uma grande
demanda eles aumentam de preço. Gostaria que o governo refletisse sobre este
assunto e encontrasse uma maneira de justificar porque nunca um professor, um
enfermeiro ou qualquer outro profissional fundamental para o desenvolvimento e
manutenção de uma sociedade ganhará tanto dinheiro por um serviço tão rápido e
tão fácil de ser realizado. Peço desculpas pelos erros de português, realmente
faz bastante tempo que não pratico nosso idioma.
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OTROS MANIFESTOS |
Gostaria de deixar público meu NÃO
aos:
- Atentados terroristas, as invazões, as
explorações das pessoas;
- A pobreza, a miséria e escravidão que
atualmente podem ser vista de diferentes formas em quase todos os lugares do
mundo;
- Ao analfabetismo;
- Ao imperialismo comercial, político,
educacional, etc.
- Aos eventos esportivos, religiosos ou
culturais que utilizam animais (toradas, circo com animais, rituais de
sacrifício, etc...), ao final estes pobres bichos não podem opinar, apenas
devem fazer o que lhes obrigam e na hora que o "homem" quer.
- As leis de patentes de software como as que a "Patented European webshop" propõem.
- Ao racismo
-
A violência de gênero
-
Não corrupção, inveja, hipocrisia, incivismo,
trapassa, indiferença
-
Não a pobreza
-
Não a fome
-
Não a falta de moradia
-
Não a falta de trabalho
-
Não a violência
-
Não ao modismo – um modismo que substitui o
conforto pela estética
-
Não a falta de sensibilidade
-
Não ao abuso de poder (no transito, no
trabalho, na família, na vida, etc.)
-
Não a arte impositiva (semáforo, metro, etc..)
-
Não ao trabalho infantil, mesmo que seja
apoiado na arte.
Também queria manifestar meu ”SIM”
ao
-
Conhecimento livre, público
-
Ao diálogo
-
A alegria
-
Ao amor e a paz que nos permitem viver em
harmonia
-
A doação de sangue e
órgãos
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Atualizado em 15/02/06 |